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MONARCO

Lançamento do CD Monarco de Todos os Tempos Convida Alcione e Zeca Pagodinho

14 de fevereiro de 2019

Um novo disco de Monarco – o primeiro em quatro anos – é sempre motivo para nos lembrar que “agoniza, mas não morre” é mais do que um verso de Nélson Sargento devotado ao samba. Não qualquer samba, ou samba da moda, ou samba confeitado, ou samba para inglês ver, e sim samba daqueles que, como dizia Noel Rosa, exprimem dois terços do Rio de Janeiro. Monarco – o cidadão Hildmar Diniz, carioca de Cavalcanti, 85 anos feitos no último agosto – é hoje o mais legítimo representante de um samba que se mantém vivo, resistindo às agonias eventualmente impostas pelo tempo e pelas novidades.


A história de vida de Monarco coincide com a das últimas sete décadas da história do samba. Embora ele tenha feito seu primeiro aos 12 anos, quando morava em Nova Iguaçu, foi aos 16, ao se mudar para Osvaldo Cruz, que as coisas começaram a acontecer. Ali. Monarco conheceu a turma de bambas da Portela, quis ser um deles (“Se eu fiz um samba em menino, porque não posso fazer outro agora?”). Ainda era um dos meninos que seguravam a corda que abraçava a escola durante os desfiles, quando, em homenagem a Francisco Santana, autor do hino da Portela, Monarco compôs “Retumbante vitória”. Um samba tão bom que Natal, presidente da escola, abriria para Monarco as portas da ala dos compositores. O samba seria usado como “esquenta”, primeiro nos ensaios e depois, com o título “Passado da Portela”, na abertura dos desfiles.

 

Entre os talentos que Monarco encontrou em Osvaldo Cruz, havia um em especial, compositor maior, figura emblemática: Paulo da Portela. Seria o primeiro ídolo do futuro sambista. Um dia, inconformado com uma truculência de Manuel Bambambã (que o impediu de levar os mangueirenses Cartola e Heitor dos Prazeres para uma visita à Portela), Paulo deixou a escola e mudou-se para a Lira do Amor, em Bento Ribeiro. Com isso, Monarco perdeu a chance de aprender com seu ídolo os primeiro segredos do samba. Recorreu a Manacéia, discípulo de Paulo, que lhe passou muito do que aprendera com o mestre. Quando Paulo da Portela morreu, em 1949, Monarco ainda sonhava com um lugar entre os compositores, o que só teria dois anos depois.  


Enquanto isso, ganhava a vida em ocupações várias. Foi camelô, vendedor de peixe, guardador de carro, operário faz-tudo da ABI, onde escovou muita mesa de bilhar para Heitor Villa-Lobos jogar e assustou o presidente Herbert Moses ao sair sambando do elevador. Cada vez melhor, sozinho ou em parceria com gente boa do meio, Monarco foi crescendo. Jamais teria samba-enredo nos desfiles da Portela, até hoje a maior campeã do carnaval carioca, mas tornou-se dos mais inspirados criadores dos sambas de quadra que fizeram a fama da escola.

 

O primeiro disco solo só aconteceu em 1976, 26 anos depois de entrar para a ala de compositores. Já tinha sido diretor de harmonia e se tornado companheiro de Manacéia, Alvaiade, João da Gente, Rufino, Aniceto, Candinho, Mijinha, Argemiro, Lonato, Colombo, Picolino, Waldir 59, Zé Kéti, Candeia, Wilson Moreira e tantos mais.

 

Monarco é hoje o capitão desta formidável nau chamada Velha Guarda da Portela, criada por Paulinho da Viola em 1970. Ele e Casquinha são os únicos remanescentes do grupo, logo imitado e ainda símbolo da resistência do samba àquelas tais agonias. Gravar novo disco é atestado dessa coragem. Sobretudo para quem já ouvir falar tantas vezes na “morte do samba”, a ponto de ter a gravação de samba seu negada a Jamelão pelos produtores, por motivo que o próprio Jamelão resumiu num conselho:

–– Faz um iê-iê-iê, Monarco.  

 

Emociona ouvi-lo recontar sua história. Entre outras razões, porque ele intercala cada capítulo da narrativa com um samba cantado com aquela voz forte, áspera, expressiva, inconfundível, lindamente negra, que faz dele o melhor intérprete de si mesmo. O novo disco, segundo Monarco, tem até canções que falam de tristezas, mas “foi feito num mar de alegria”. O filho, Mauro Diniz, produziu, fez os arranjos, tocou cavaquinho em todas as faixas e dividiu com o pai a autoria de seis delas. É Monarco quem diz: “Mauro sabe para onde eu vou, conhece os caminhos, descobre o acorde certo, é mais que um parceiro”. Mauro só não participou da escolha do repertório, todas as músicas (menos uma) foram selecionadas pelo próprio Monarco. A exceção é “Obrigado pelas flores”, incluída a pedidos do pessoal da Biscoito Fino, uma singela homenagem a Dona Ivone Lara.


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